Pós-cinema: reenquadrando práticas artísticas dos media

Quarta-feira, 18 de abril às 18h
Auditório do Museu Colecção Berardo – Entrada Livre

Abstract

As práticas artísticas mediáticas estão hoje a mudar rapidamente e constituem-se como um elemento central na reconfiguração do cinema contemporâneo.

Ainda que o termo «investigação artisticamente alicerçada» (artistic based research) seja contestado, com um conjunto de outros conceitos em competição para ocuparem esse espaço concetual, a imagem fílmica não deixa hoje de ser tanto um instrumento de investigação – sendo mesmo uma das sua caraterísticas nucleares em muitos domínios – como um objeto de atenção e escrutínio.

É este duplo papel e função que lhe confere uma posição privilegiada para nos poder ajudar a pensar o que é o pós-cinema.

Nesta conferência pretendemos dar conta dos elementos fundamentais do que seja a investigação artística alicerçada nas práticas cinematográficas e relacionar esta com algumas das varáveis que no presente estão a reenquadrar a experiência cinemática.

Conferencista

Manuel José Damásio é director do Departamento de Cinema e Arte dos Media da Universidade Lusófona.

Professor agregado pela Universidade do Minho, Doutorado em Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa.

Autor de diversos livros e artigos em publicações nacionais e internacionais com revisão por pares.

Possui uma vasta experiência em consultoria e produção audiovisual e multimédia.

É membro do Comité Executivo da GEECT / CILECT e membro da European Film Academy.

A MÃO QUE LIBERTA: APROPRIAÇÃO E SUBJECTIVAÇÃO


Quarta-feira, 21 de março às 18h
Auditório do Museu Colecção Berardo – Entrada Livre

Abstract

Desde a reprodutibilidade técnica, da fotografia e do cinema, até ao digital e às bases de dados cibernéticas, a cultura e a arte contemporâneas têm explorado aquilo que, por um lado, é a hipótese de constituição de um arquivo universal, que tudo armazena e operacionaliza e, por outro, se apresenta como uma cultura da pós-produção que, trabalhando esse arquivo, se baseia em processos de apropriação, reutilização e recontextualização.

Se, na procura de categorizar esta tendência, um certo discurso crítico insistiu na morte do autor, na ideia de obra aberta ou na crítica do consumismo, o que pretendemos focar nesta conferência é a cultura da apropriação como um exercício de subjectivação – a abertura de uma falha através do gesto de reclamar para si o que já foi estabilizado.

Em certa medida, retomamos aqui o que Walter Benjamin considerou ser o coleccionismo, enquanto disposição que liberta os objectos do carácter instrumental da História (ou do seu elemento cínico).

Neste sentido, procuramos pensar a cultura da apropriação como uma matriz especulativa que expõe a História ou, mais especificamente, o passado como qualquer coisa incompleta e potencialmente heterogénea em relação ao que foi reificado e inscrito.

No limite, trata-se de questionar a cultura da pós-produção como uma perpétua e inacabada cultura da pré-produção.

Conferencista

Manuel Bogalheiro é Professor nos cursos de Ciências da Comunicação na Universidade Lusófona do Porto, na qual dirige o Doutoramento em Arte dos Media.

É Doutorado em Ciências da Comunicação – Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela FCSH-UNL. Investiga e publica nas áreas da Filosofia da Técnica, da Teoria da Cultura e da Estética

Existe uma estética duchampiana?

Conferência com José Brangança de Miranda

Quarta-feira, 28 de fevereiro às 17h
Auditório do Museu Colecção Berardo – Entrada Livre

Abstract

O Urinol de Marcel Duchamp perfez 100 anos, tendo atravessado um século conturbado para a arte. Com o ready-made anuncia-se uma forma de arte liberta do juízo e das categorias estéticas, que se dissemina imparavelmente, através de uma pluralidade de experimentações e de estratégias.

Afirmando uma anestética, paradoxalmente Duchamp é o herdeiro mais radical da estética Ocidental que se desenvolve entre Platão e Hegel. Ele é o ultimo grande pensador metafísico sobre a arte.

Do lado de cá deste arco de tempo, repensar o gesto duchampiano implica uma reavaliação sintética das artes contemporâneas, todas elas de algum modo pós-duchampianas, necessariamente.

Conferencista

José A. Bragança de Miranda é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (1990), com agregação em «Teoria da Cultura» (2000) na mesma Universidade.

Actualmente é Professor Associado do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, colaborando desde 1992 como Professor Catedrático convidado na Universidade Lusófona.

Tem leccionado nas áreas da Teoria da Cultura e das Artes Contemporâneas, da Teoria dos Media e da Cibercultura. É investigador do «Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens» (CECL).

Arte, participação, ação – Conferência por José Gomes Pinto

Quarta-feira, 31 de janeiro| 18h00 | Auditório Museu Coleção Berardo
Entrada gratuita

Abstract: A época histórica presente está determinada por fenómenos sistemáticos de mediação e pela mediatização dos processos e dos objetos. A arte vive aí encostada a fenómenos que não lhe eram historicamente adscritos. A partir da noção de participação e ação, procuraremos determinar as relações que se traçam hoje entre os objetos artísticos, a sua posição no movimento das mediações, as novas categorias que surgem para pensar as novas relações entre a arte e os outros campos de atividade humana.

Short Bio: José Gomes Pinto é Professor de Teoria dos Media e de Filosofia da Comunicação na Escola de Comunicação da Universidade Lusófona. Doutorado em Filosofia, é Agregado em Ciências da Comunicação. As suas áreas de interesse situam-se na intersecção entre a Arte, a Técnica e o Pensamento. Tem diversos artigos publicados, nacional e internacionalmente, nesta área.