Conferência: “Traveling . O «acontecimento» arquivial”

No âmbito do ‘VI Ciclo de Conferências Internacionais ECATI/MCB, realiza-se no dia 22 de Março, pelas 18H00m, no auditório do museu Coleção Berardo, a conferência ‘Traveling.

O «acontecimento» arquivial’ com o artista José Maçãs de Carvalho e a curadora Ana Rito.

A entrada é livre.

Notas Biográficas

José Maçãs de Carvalho

(Anadia,1960) Doutoramento em Arte Contemporânea – Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em 2014; estudou Literatura nos anos 80 na Universidade de Coimbra e Gestão de Artes nos anos 90, em Macau onde trabalhou e viveu; Professor no Dep. de Arquitetura e no Colégio das Artes (Subdiretor) da Universidade de Coimbra.

Foi bolseiro da F.Calouste Gulbenkian, F.Oriente, Instituto Camões, Centro Português de Fotografia e Instituto das Artes/Dgartes, Em 2003 comissaria e projecta as exposições temporárias e permanente do Museu do Vinho da Bairrada, Anadia; em 2005 comissaria “My Own Private Pictures”, na Plataforma Revólver, no âmbito da LisboaPhoto.

Nomeado para o prémio BESPhoto 2005 (2006, CCB, Lisboa) e para a “short-list” do prémio de fotografia Pictet Prix, na Suiça, em 2008.

Entre 2011 e 2014 realizou 4 exposições individuais em torno do tema da sua tese de doutoramento (arquivo e memória), no CAV, Coimbra; Ateliers Concorde, Lisboa e Colégio das Artes, Coimbra; Galeria VPF, Lisboa; Arquivo Municipal de Fotografia, Lisboa e foi editado um livro (“Unpacking: a desire for the archive”) pela StolenBooks, em 2014.

Em 2015, foi publicado um livro de fotografias suas, “Partir por todos os dias”, na Editora Amieira.

Já em 2016, participa no livro “Asprela”, fotografia sobre o campus universitário do Porto, editado pela Scopio Editions e Esmae/IPP.

Ana Rito

(Lisboa, 1978) Doutoramento em Belas Artes – Vídeo-Instalação.

O seu domínio de especialização centra-se nos novos media, performance e vídeo-instalação, a imagem movente e as dinâmicas do espectador, plataformas transmedia, curadoria e programação.

Dos seus projectos curatoriais destacam-se a exposição SHE IS A FEMME FATALE, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, em2009; One Woman Show, Organização do Ciclo de Filmes em colaboração com o Festival Temps d`Images, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, em 2009; SHE IS A FEMME FATALE#2, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Biblioteca do Campus de Caparica, Almada, em 2010; OBSERVADORES – Revelações, Trânsitos e Distâncias, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, (Co-Curadores Dr. Jean-François Chougnet e Hugo Barata); CURATING THE DOMESTIC – Images@home, Trienal de Arquitectura de Lisboa, em 2013; A IMAGEM INCORPORADA/THE EMBODIED VISION – Performance para a câmara – Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC), com co – curadoria de Jacinto Lageira, em 2014.

Resumo

«O filme projecta-se em nós, os projectores.»[1]

Okwui Enwezor, em Archive Fever: Uses of the Document in Contemporary Art [2] (2008), fala da existência do tempo do sujeito e do tempo do mundo “a acontecer”.

No hiato entre estes dois tempos distintos, está o arquivo.

E pensar este arquivo, é pensar na sua potencialidade discursiva, nas narratividades que projecta, na reverberação e no eco, na tradução e nos intervalos.

O que pode, então, um arquivo? Enwezor “extende” a leitura do arquivo, olhando-o comomedium em si, na sua relação com a História, do qual participa enquanto documento, e com a arte contemporânea, que transforma, precisamente este documento em “monumento”.

Ora, é nesta transitoriedade própria dos processos arquivísticos que a exposição Arquivo e Democracia (2017) de José Maçãs de Carvalho, com curadoria de Ana Rito, se situa.

Apostada numa espécie de sistema cinestésico de navegação próprio e adquirido in situ, também ele mutável, Arquivo e Democracia propõe ao espectador atravessar estes territórios abertos, conectá-los através da sua imagética pessoal e participar da montagem espacial que se desenvolve a partir do seu próprio ponto de vista enquanto corpo dinâmico no espaço.

A mutabilidade inerente a este processo atesta a leitura on the move de obras de natureza híbrida, com carácter de instalação, e que integram imagens de proveniência diversa (vídeo e fotografia).

A presente comunicação centrar-se-á na passagem destes corpos e destas imagens, assim como das palavras e dos gestos, “coreografados” por José Maçãs de Carvalho: uma multiplicidade de arquivos[3], que relacionam a fotografia e o vídeo, o fixo e o movente, a paisagem e o lugar, o material e o espectral, o público e o privado, o vivido e o imaginado, e mais especificamente, a atenção e a distracção.

  • [1] Herberto Helder, Photomaton & Vox (Porto: Assírio & 2013), 142.
  • [2] Okwui Enwezor, Archive Fever: Uses of the Document in Contemporary Art, New York: International Center of Photography/Göttingen: Steidl, 2008, p. 23
  • [3] Evidenciando uma certa performatividade própria do arquivo, na senda de Panos Kouros, Wolfgang Ernst, Okwui Enwezor ou Arjun Appadurai.