O que fazer se as cores escorrerem umas sobre as outras?

Maria Filomena Molder
V Ciclo de Conferências Internacionais ECATI/MCB

Conferência – Quarta-feira, dia 25 de Novembro de 2015
Ás 18h no Auditório do Museu Colecção Berardo.

Resumo

Hegel parece-me sempre querer dizer que as coisas que se mostram diferentes são, na realidade, semelhantes.

Ao passo que o meu interesse está em mostrar que coisas que parecem semelhantes são realmente diferentes.

  1. Nesta observação feita a Drury e coligida por Norman Malcom desenha-se o quadro daquilo que opõe Wittgenstein a Hegel e que talvez possa ser traduzido assim: “se o conceito e a realidade não se cindem, então o homem morre”, variante, não autorizada por Wittgenstein, de uma célebre e celebrada citação de Hegel: “se conceito e realidade se cindem, então o homem morre”. 1.1.

    Essencial é a sua convicção de que uma coisa se apoia noutra, mas não é o fundamento de outra. 1.2.

    E se consciência for menos aquilo que se passa na minha mente ou na história do que aquilo que eu vejo?

  2. Não é certo que Wittgenstein se tenha preocupado com a história quer a ciência histórica quer isso a que habitualmente se chama história e aparece em frases como “tal acontecimento fez história” ou “passou à história” quer de um ponto de vista filosófico.

    Ele prefere falar diante do dia que lhe coube em sorte, embora tal não o impeça, bem pelo contrário, de falar de geração e de tradição. 2.1.

    Da dificuldade de Wittgenstein em aderir à arte do seu tempo quer nas chamadas artes visuais quer na música e na poesia. 2.2.

    Da crítica severa àquele que é o modelo de compreensão do seu tempo (e do nosso), a ciência. 2.3.

    Da convicção de Wittgenstein de que não há condições de possibilidade para a existência da crítica de arte.

Eis a sequência de desafios que se espera possam ter consequências para compreender a relação entre pensamento e arte.

Nota Biográfica

Maria Filomena Molder é professora catedrática aposentada, FCSH, UNL.

Principais publicações:

O Pensamento Morfológico de Goethe, INCM, 1995. Semear na Neve. Estudos sobre Walter Benjamin, Relógio d’Água, 1999 – Prémio Pen-Club 2000 para Ensaio. Matérias Sensíveis, Relógio d’Água, 2000. A Imperfeição da Filosofia, Relógio d’Água, 2003. O Absoluto que pertence à Terra, Vendaval, 2005.Símbolo, Analogia e Afinidade, Vendaval, 2009. O Químico e o Alquimista. Benjamin, Leitor de Baudelaire, Relógio d’Água, 2011 – Prémio Pen-Club 2012 para Ensaio. As Nuvens e o Vaso Sagrado, Relógio d’Água, 2014

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