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Ex-aluna exibe documentário que recorda “aqueles que ficaram”

A sessão da tarde do segundo dia da Semana da Comunicação da Universidade Lusófona, na terça-feira, foi dedicada à exibição do documentário "Aqueles que ficaram – em toda a parte todo o mundo tem", de Marianela Brazão e Humberto Candeias. A obra serviu de mote para um debate que contou com a presença da realizadora, filha de um preso político e ex-aluna do curso de Comunicação e Jornalismo, moderado por Carla Rodrigues Cardoso, docente do DCC.
O documentário relata vários testemunhos de famílias, sobretudo de filhos e filhas de clandestinos, exilados e presos políticos. São descritos os momentos em que muitos presenciaram os seus pais a serem levados e perseguidos pela PIDE, até ao dia em que receberam a notícia de que estavam livres. As visitas eram limitadas, como relata uma das testemunhas: “Lembro-me do meu pai estar de castigo e nem no aniversário dele o deixaram ter visitas. Eu e a minha irmã descíamos a chorar por querer ver o meu pai. Insistimos e nesse dia conseguimos uma visita. O meu pai sentou-nos cada uma na sua perna, foi uma boa visita”.
Ao longo do documentário são ouvidos relatos de famílias que viveram dificuldades financeiras, pois, na grande parte dos casos, quem trazia o dinheiro para casa era o homem. Para muitas crianças, isto significou a separação das famílias: “O meu irmão foi morar com os meus avós, só nos víamos às vezes quando íamos visitar o nosso pai”, ouve-se no documentário.
Após a exibição do documentário, o debate ficou marcado pelo testemunho de uma participante no documentário, salientando o papel das mães dos presos políticos: “foram verdadeiras “muralhas de aço” no suporte às suas famílias”, refere.
Ana Beatriz Silva, Ana Margarida Sousa e Luana Fonseca