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"O jornalismo é fundamental para a recuperação da memória"

Jornalismo e literatura estiveram em destaque na 13.ª Semana da Comunicação da Universidade Lusófona. Numa sessão marcada pela reflexão sobre os limites da escrita, Sandra Inês Cruz, Miguel Carvalho e Catarina Gomes, jornalistas, destacaram as afinidades entre o jornalismo e a literatura.
Sandra Inês Cruz destacou o seu trabalho de investigação [Doutoramento] sobre o Campo do Tarrafal, sublinhando que “a história pode estar correta, mas incompleta”. A jornalista explicou que o objetivo não é reescrever a história, mas trazer à luz novos factos, dando voz a pessoas esquecidas. “Enquanto jornalista, é meu dever encontrar provas e revelar aquilo que falta”, afirmou. Catarina Gomes, também autora de várias obras, esclarece: “Não produzo conhecimento, não sou historiadora, apenas conto o que aconteceu”. A autora fez questão de abordar a dimensão emocional da escrita e revelou que escreve apenas sobre temas que a envolvem: “Chorar não me torna incompetente enquanto jornalista, torna-me humana”, disse, afirmando que o jornalismo diário tende a dessensibilizar. Apesar da liberdade criativa, recordou o momento em que saiu da redação: “Quando me vi fora da redação, sem prazos e limites, fiquei completamente desnorteada”. Mas sublinhou a “liberdade de escrita dos livros que uma redação não permite”.
Miguel Carvalho, autor de um livro que nasce a partir de uma investigação jornalística «Por Dentro do Chega», sublinhou a importância de ouvir diferentes perspetivas sem preconceitos: “Compreender os eleitores [do Chega] não significa desresponsabilizá-los”. Para o autor, o crescimento do partido é um reflexo de um “mal-estar em relação à democracia”, que exige análise e reflexão. E reforça, a respeito do papel do jornalismo: “Desenterrar o que não se sabe, o que não foi contado. O jornalismo é fundamental para a recuperação da memória e revelação de histórias que estão por contar”.
Rita Martins e Sara Silva